




Intrépida
Nelson Maia
Schocair
Absurdos há em delirar
de tentação?
Pois que se faça a loucura gostosa;
Que se determine à vontade a coragem de se fazer única;
Que jamais durma antes de se banhar de gozo
imorredouro e dividido;
Que alcance o auge no tremor da sedução mais cálida;
Que se faça amor plácido ou sexo sujo
na mesa de sinuca do salão de jogos da imaginação;
Que sue e sangre a pele muda
antes de se estudar os porquês do nunca fazer;
Que se alimente o ventre dos caldos úmidos de nossas incertezas;
Que se admire o proibido antes de resignar-se com o óbvio;
Que nasçam filhos etéreos e preparados para serem mitos;
Que se ensaboe de nuvens e se sequem os cabelos da Medusa;
Que não se esqueça de viver a dantesca alegria antes que
a barca da morte nos leve ao limbo do arrependimento;
Que seja intrépida e nova mulher em meu colo de Teseu;
Que seja maga, a criança-fada,
no bem-querer de nossas ambições infames!