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Gerundópolis
Silas Passos Ferreira

 


Eu estou parado
a cidade se movendo,
dinamizando

Carros passando, luzes piscando
bares abrindo, escritórios fechando
Sol escondendo, noite chegando
Eu estático, ela vibrando

Sinos batendo, cristãos pecando
sob os olhos do "arquiteto" observando
crimes hediondos acontecendo
os mandamentos?
Ignorando

Eu sucumbindo, ela, aos poucos

Árvores escassas, indústrias fumando
Ratos correndo, peixes boiando
ruas fedendo, esgoto?
Faltando
Do Homo viralis, se infestando

Eu pisco disperso, ela atropela, mutando

Criança dormindo, frio queimando
com rastro de vento, jornal some voando
levando a notícia, a esperança
depositada em que?
No profeta profano

Leva o povo ao comício, vício,
mas prossegue, afanando!
Eu lamento problemas,
ela os driblando...

Gente amando, sofrendo... cantando
areia caindo, ampulheta girando
parecendo neutra, ela, nem se importando

Mas às suas vistas, a vida de concreto
poeira vai se dizimando.

S

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