




Atrás
dos teus olhos
Sérgio
Lopes
Enfim, desfolhada pétala
a pétala a tua mais querida flor,
Chegaste ao que realmente tens:
Àquele indivíduo atrás dos teus olhos,
A apreender tudo por detrás de duas janelas
E paredes que sentem e sentes em si.
Enfim, deixada a desfrutável
varanda da casa alheia,
À qual às vezes se leva a alma a descansar
Donde à sombra, quando acolhedora,
Se esquece do inalienável interior doméstico,
Resta-nos apenas o silêncio.
Enfim, tendo restado
apenas silêncio,
Olha-se então para o teto,
E não se vê o que se desdobra diante das janelas.
Enfim, precipita-se
sobre todas as coisas a noite
Ainda que fora, sucedam-se claras as imagens
Absolutamente impassíveis, fúteis, quase cínicas.