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O peregrino
Carlos H. Toledo

 


Distancio-me da revolução de minha alma,
Pelas gôndolas da discórdia serena
Por entre espinhos e armadilhas da calma,
Desta seca e fugaz Perigosa Veneza

Sou o monge do renascido alvorecer,
Com o mesmo e velho semblante vulgar
Que reza pela cruz ao anoitecer
E que aniquila a expressão do amar

Imperfeito ícone imortal
Desgracioso como uma enfermidade
O conselheiro dos fundamentos do mal,
Meticulosamente baseado na deslealdade

O prêmio de minha vitalidade aterradora,
São as lágrimas derrotadas sobre a fonte,
A volúpia da virgem sonhadora
E massacres observados pelo monte

Minha garganta já duramente estremecida
É a progenitora do caos benevolente,
Originou a confrontada besta adormecida,
A deusa de minha plenitude eminente.

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