




A
7 palmos
Carlos
H. Toledo
Por que me feres assim?
Por que me olhas assim?
Por que ages assim?
Estragando tudo de mim
Meu lamuriante oceano
Me deixe a deriva da ignorância
Enquanto minha liberdade solitária ganho,
Escondido e desprevenido da petulância
Ah! Sentimento ardente
queime meus sentidos,
Faça-me sentir o delicioso poder do voar
Faça-me esquecer tais palavras ofendidas aos meus ouvidos
Faça-me perder a indiferença do amar
O gozo da manhã em pleno
setembro
A chegada inesperada do orvalho,
Deslumbra-me com a encarnação que não lembro
E sob a proteção das nuvens... espalho
Como uma criança já
corrompida
Brinco melindrosamente com a maldade
Pressinto a escuridão gelar minha espinha
Fazendo-me recuperar a realidade
Ah! Sou carniceiro em
busca da podridão,
Eu tropecei... Caminhei sobre mundos falsos
Procurando me ajustar com sofreguidão,
Mas num instante me encontrei... à sete palmos
Por que me caças assim?
Por que me acaricias assim?
Por que me renegas assim?
Dilacerando até o fim.
