Gaveta do Autor - O portal do escritor na rede

Alerta
Marília Gonçalves

 


Grita filha!
há uma aranha
na brancura da parede
que peçonhenta, tamanha

vai tecendo sua rede

Grita filha!
essa fobia
é proteção natural
contra a aranha sombria
que além de símbolo
é mal!

Grita com todas as forças!
grita porque há mesmo perigo
essa aranha uma cruz negra
é o pior inimigo

Por meu amor, não te cales!
Grita filha
tua mãe
impele-te pra que fales:
contigo grito também!

Essa aranha que se estende
tem o passo marcial
com fúria que surpreende
o incauto, em voz fatal

Grita filha
o bicho imundo
sai vertiginosamente
da sombra vinda do fundo
em veneno de serpente

Tal a jibóia medonha
enrola-se, abraça o mundo
Pra ir crescendo em peçonha

Introduz-se em toda parte
tudo corrói e desfaz
é inimiga da arte
do ser humano da paz

Grita filha!
mas tão alto
num grito tão verdadeiro
que desperte em sobressalto
o que não quer ver primeiro

Essa aranha pestilenta
odeia a própria cultura
em fogueira que alimenta
livro após livro censura

Opõe à humanidade
a sua força brutal
por onde ela passa invade
mata o constitucional!

É um monstro repelente:
primeiro ataca o mais fraco
para ir seguidamente
oculta em cada buraco
destruir a liberdade

Inimiga da diferença!
Grita!
Minha filha grita!
Faz ouvir a tua presença

Aponta o bicho feroz,
mostra-o, sacode os amigos
com a força da tua voz!
Grita!
esse enredo de perigos!

Grita filha! Desta vez
esse grito é racional
porque essa aranha é o não
ao direito universal

Sem medo abre tua boca!
Grita alto! Grita forte!
Porque toda a força é pouca
Para lutar contra a morte

Grita! Grita minha filha
não te claes nunca mais:
não se veja outra Bastilha
prendendo os próprios jornais!

Que teu grito seja infindo
circule, dê volta ao mundo,
jovem voz entusiástica
erguendo o povo profundo
contra a bandeira suástica.

M

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