




A
dor
Eloah Westphalen
Naschenweng
Nem sempre o bastante
é o suficiente
E o poder do amor, primavera
Nem sempre o sorriso é o bálsamo da procura
E o estar só, caminho solitário
Nem sempre
a aurora peregrina é luz divina
E o tempo, perfeito lume
Nem sempre o carinho é festa
E a mão, um gesto terno
Nem sempre
a noite é estrela guia
E a escuridão, perfeito esconderijo
Nem sempre o lamento é um grito
E a música, uma visão sonora
Nem sempre
o coração é cadenciado solo
E o encanto, um belo sonho
Nem sempre a poesia é uma quimera
E saudades, uma simples espera
Nem sempre
o gozo é rima fugidia
E o corpo, delírio puro
Nem sempre a vida é seara abundante
E os caminhos, veredas repousantes
Nem sempre
o olhar é um sobejo beijo
E a alma, gentil e luminosa
Nem sempre o efêmero é curto espaço e prefácio
E o eterno, verdadeiro
Nem sempre
o orgulho é fonte cristalina
E o que nos falta, a nós escapa
Nem sempre a ilusão é fantasia indefinida
E as sombras, uma nuvem perdida
Nem sempre
o amor é insano
E a dor, perda ou dano
Mas sempre é sublime canto
Hora da aurora - augusto e muito humano.
