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Primavera sanguinolenta
Carlos H. Toledo

 


Onde você se esconde?
Ainda sinto o cheiro de seu sangue
Traço meu caminho a te procurar,
para meu coração vingar
Nossa árvore secou, quando meu choro se esgotou
Despertei e a você me neguei
Enfrento tal escuridão, transbordando de sofreguidão
A sepultura me espera até murchar
a última flor da primavera
Meus olhos queimam, e ao arco-íris desdenham
A chuva é a melhor amiga,
e a tempestuosa noite chega a ser divina
Meu ideal enfim se torna real
Desejo te ver sempre assim, lamentando e vomitando
Teu peito desabrochado se confunde
com seu sorriso esboçado
Com faca na mão, me uno a ti uma vez mais,
até seu encontro ao chão
E enquanto te desfaço,
liberto-me do passado a beira desse penhasco.

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