




Sangria
Sérgio
Ricardo de Lima
Sangria desrespeitada,
sol quente silencioso
Medo, corrupção
como uma fábula atemporal:
nada de novo...
Hospital fechado, hipocondria,
procura vitória sombria,
expiação, agonia
O farol não ilumina
o que se quer ver
Águas bebidas,
evaporadas, perseguição!
É a dor pura, condensada, odiada
Criança vigiada
rompe barreiras,
torna-se brava, corre o mundo,
volta vencida e renasce para a dor
Casa-mundo-homem,
esperança vital, contínua, divina
Morre-se tanto quanto se nasce
Dissolva-se o ódio em lágrimas,
dirija-se a vingança ao mundo cruel, estranho
Veja-se o espelho do tempo:
rugas expostas na higiene diária
são marcas úteis, viscerais
Aprenda-se o óbvio: a morte não mata.