




Os
hai-kais
Marcello
Ricardo Almeida
Haicais: poema japonês
Para
compor hai-kai,
Hein, Dr. Filólogo,
Usa-se kai ou cai?
Humoristas
Todos
os humoristas
São no fundo, bem no fundo,
Poetas raimundos.
A teoria das idéias
A metafísica
do poeta faz poemas,
não imagística.
Rio das lavadeiras
Pobre
lavadeira
Bate roupas na pedra
Sai som de ameba.
Disco-voador é abatido
No mato
o caçador:
Pouh! Pouh! atira a esmo;
Cai disco-voador.
"Blefe" no mundo do baralho
As damas
de copas
Traem reis de espada com
Valetes de paus.
Escola nova
A Dona
Gramática,
E na escola ignoram
A Matemática?
Chuva de molhar bobo
Chuá!
Faz a chuva...
Olha a enchente, aí, gente!
Não. Água nas telhas.
Pela vidraça
Olhe
na vidraça,
Que lá fora anda a Vida
Repleta de graxa.
A vida na arena (ou na areia)
O drama
humano
É tipo circo romano
Bem tragicômico.
O grito do caititu
Pio de
carro de bois
Puxa lenha, puxa barro;
Rosas caem nos braços.
Liberdade condicional
"Sursis",
diz o juiz;
E o "gangster" nem pisca.
O júri faísca.
A medida do avaro
Tilintar
moedas
Em ouvidos avarentos,
Corrói firmamento.
A duplla estupidez
Pompa
na tribuna:
"Est conditio sine qua non".
E o néscio só: "Sim".
Conselho de um geriatra
Avisa
ao fraco:
Seus genes são mesmos falsos;
Não viverás 100 anos.
Pão e leite
Problemas
da-nação
Se não falta pão e leite
Na mesa do bufão.
História do teatro
Clássicas,
prosaicas
Vão legiões ao teatro
Juntar, talvez, cacos.