




Paralisia
Sérgio
Ricardo de Lima
Soltos degraus de sonhos,
onde darão ?
Gente sobe, desce, desaparece...
Reconheço os iguais,
estendendo as mãos
Paralisia,
prenúncio da amargura;
repetição
Agora, primata (orar pra quem?),
cravo as unhas no corrimão
Escurece, silencia
Secessão de memórias,
obliteração
Quero mover-me,
quando menos pular!
Mas em baixo é vazio e
em cima é vazio
Contemplo tudo, compreendo
o grande edifício do tempo
quanto devaneio há no labor
que não purifica
Animar-se é pular;
machucar-se
Curar-se sempre, fere.