




O
vate
Sérgio
Lopes
O vate, sofregamente
locomovendo-se naquelas lamas,
Tornara-se destarte maldito;
Escoriava-se nesse atrito,
Metido entre o imundo,
De aspecto nauseabundo,
Seguia entretanto limpo,
como revestido por escamas
No reduto do insano,
A sandice é cotidiano,
E o são alienado
Onde pousa os olhos
vê algo mais desgraçado
Entre um mar de despojo,
A face torcida de nojo,
Cadáveres todos insepultos,
A mente rudimentar dos incultos;
Os olhos então se fecham,
num gesto ensimesmado
Neste absoluto desengano,
Pouco se lhe dá o dano
Como a euforia,
Que só o que lhe resta
sempre
é o que sempre restaria
Se para sempre fosse a vida
A fortaleza assim erigida
Do alicerce mais profundo,
Sobre a terra, mas tão acima do mundo,
Pelo mundo não se destrói,
tampouco por si mesma ruiria.