




Consciência
negra
Dnp2211
Hoje
é dia 19 e ainda vejo o cativeiro
É 19 de novembro, e eu sou um negro
Meu irmão, meu companheiro não está comigo
Fez daquilo o seu único abrigo
Acaba de abrir seus olhos vermelhos
É um sinal de que ainda está vivo
Mas ainda não sorriu
Não viu a luz do sol que brilha lá fora
Nem sabe o que tanto lhe apavora
Não sabe do direito que o dinheiro fez segredo
Na noite, toda negra
Todo negro, na escuridão
Sem luz
Os olhos que não
vêem estão vermelhos
A cabeça que está baixa, está vazia
É a fraqueza que alimenta a fobia
De quem não acredita no lugar ao sol
E o sol que está brilhando lá fora
Não é só da praia onde a grana cora
E as pernas que não andam por aí
Essa coisa de achar que é cada um por si
O sorriso que não vejo nem sorrir
É a corrente que prende, é a prisão
Tá na hora de
sair desse porão
Tá na hora de embarcar nesse navio
Esse mundo não é só escuridão
Esse mundo não é só solidão
Sentir calor, acabar com esse vazio
Venha mostrar os dentes
Ainda dá tempo de quebrar essas correntes
Soltar as amarras, conquistar o mar
A vida não é banzo, é banzai
É uma dura estrada que só vai
A vida não é só ficar nessa porteira
A vida é pra viver a vida inteira
Abra os olhos para enxergar
Abra as asas para voar
Gente é feita para brilhar
Que nem o sol, que nem a luz
Ainda há tempo para sorrir
Para zumbizar, para ser feliz
Não tenha medo.
