




Mar
de estrelas
(Poesia do Operário)
Karla Marília
Meneses
Eu que vejo minha sombra
tardia, que atravessa a noite torta
Sou um resquício triste
mas rijo
de um dia qualquer e morno:
eu fechei janelas e tomei
um apressado ônibus
comi uma marmita fria
recebi o dinheiro do dia
Eu li uma revista
fui reprovado numa entrevista
eu não ganhei na loteria e perdi o emprego
Domingo vejo TV
eu que vejo minha sombra tardia
atravessando uma vida sem poesia
Eu que fecho janelas
queria apenas ficar estendido
num leve mar de estrelas
oscilando como num sonho
Querer ser mais do que
meu eu
flutuar ao invés de se arrastar
viver numa doce inconsciência
É que várias vezes
sentimos
que a condição humana é um peso
intransferível e sem medidas.