




Canção
do sátiro
Marcello
Ricardo Almeida
Minha terra fervilha
ladrões pátrios,
onde cantam plutocráticos cancães sátiros;
os finórios 171, que aqui gorgolejam,
também gorjeiam lábias quais larápios
Nossa!
o céu tem mais discos-voadores;
aterraram os grã-mangues inflores;
desmamaram os bosques sem grã-vida; e
emprenharam jovens sem amores
Em ciscar,
sozinho, dia e noite,
mais prazer encontro num bar;
minha terra pululam grã-larápios
onde canta o cancão sátiro
Minha
terra tem piranhas,
que tais encontro eu cá;
em ciscar - só, noite e dia -
mais prazer encontro num bar;
minha terra tem grã-ladrões,
onde cantam velhos canções
Não permita,
Justiça, que ocorram
injustiças, sem que volte para lá;
sem que desfrute, no Chico, das piranhas
cuja luxúria também encontro cá;
sem qu'inda coma no pomar as pinhas
onde quedou-se o cancão de cantarolar.