




O
portão
Maria Angela
Piai
Em minha janela,
canta uma cotovia
fingindo ser ela
quem eu amei um dia
num reflexo fatal
no refluxo final
eu perdida
Passos na casa vazia,
escuridão...
Eu atenta
em vigília
ouço o vento batendo o portão
E pensamentos agitando-se
nos galhos de árvores
que aranham as paredes perdidas entre tempo e espaço
Qual meu tempo?
Qual meu espaço?
A areia da ampulheta
corre mais depressa que meus pés
e não consigo estancá-la com meus pequenos dedos
a areia corre, cobrindo meu corpo devasso de inquietação
e num violento sopro da natureza,
o portão se fecha pra nunca mais se abrir
Paz e luz.