




Soneto
ao êxtase
Sérgio
Lopes
A mim mesmo volto o olhar nostálgico
A fim apenas de dizer-me enfim:
“É efêmero na existência o momento extático,
Sendo escusado chorar-lhe então o fim”
De todo gozo sabendo
a transitoriedade,
Transcendo da felicidade a ilusão
Toda a impressão de eternidade
Que os bons instantes nos dão
Há que se viver o mínimo
instante
Até o último minuto restante
Tudo quanto nosso fado nos dera;
Mas que o sentido não
se engane,
Que tanto o belo quanto o infame
Dividem conosco a mesma terra.