




Marmundaúgabalagoas
Marcello
Ricardo Almeida
Salve, salve, Alagoas, salve, salve!
onde o sol nunca se apaga,
vermelho melancia, amarelo manga;
o disco escarlate
abre asas esvoaçantes,
aterrissa às águas
em seu fogaréu mutante,
explodem labaredas
vermelhas melancias
amarelas mangas,
verdes, azuladas
de mar bigâmico
com Mundaú e Mangaba;
um cheiro eterno de açúcar
dos quebra-queixos,
roletes de cana. Alagoas
soberana banhada de luz
subia à tarde a ladeira do Farol,
embriagava-me de ciências em Fontgalland,
na mirante qu'inda admira vários maceiós
donde se apresenta o mar,
apresentam-se telhados
de miríades casarões pincelados
um maranhão de tantos emaranhados -
pontilham os cruzeiros
banhados de tintas do Sol;
distante
de Santana agreste,
desenhada de marrons rupestres,
sob o cheiro das cachaças
que brotam dos tabuleiros;
sem pensar na vida por um momento,
o povo anda na rua com sua sintaxe,
sem sujeito, complemento ou predicado.
Santana distante e triste,
em lugar dos verbos,
as verbas na boca dos políticos
se divertem, passeiam nas praças
sem as palmeiras sóbrias
dos caetés do velho Graça.