




Solos
Vieira, um autodidata inútil
Marcello
Ricardo Almeida
É tédio? É torpor? À
meia-noite
escutam-se ruídos na casa ao lado
Depois, silêncio tétrico, absurdo
Um homem triste, na varanda, fuma
seu último cigarro. Sua mulher só,
desesperada. Solos Vieira viera
outro dia e dissera
ser Solos um errante,
um errante
de lugares ermos
Ele sem encontrar nem mesmo ele
Pergunta-se: "Quem sou?"
Pobre.
Nem ao menos encontra uma pedra
onde, quem sabe, repousasse sua cabeça
E Solos Vieira nele próprio se empedra
em sua filosofia barata, tola à beça
Com sua
bagagem de conhecimento vil,
em sua mente o primeiro será o último
Solos Vieira, um autodidata inútil,
procurando a mãe pra voltar ao útero.