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Fernando Oliveira

Rostos de maio
Fernando Oliveira

 


o amarelo risca o verde
que risca o amarelo
sob a cúpula azul
que hoje não chora

o patriarca vende pão
para pão comprar

cacos velhos expostos à vivissecção da consciência mercantil
exalam as últimas gotas de memória
a miséria sobrepujasse à soberba
na calçada indefinida

a desobediência do cão
altera o ritmo da natureza

é maio
parece vida
a camada de terra arável
transuda mensagens do subsolo

gritos cabralinos mesclados de dor tropical
inserem-se entre o perfume e a carne do fruto
o velho gaveano expõe a pança ao sol
enquanto improváveis barbeiros lhe tonsuram a trunfa

é maio
parece vida
a digestão metaforizada entre o tempo e o espaço da refeição
a erva é doce e verde e o sol é mel sem pão.

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