




Herdeiro
Perpétuo
Sérgio
Lopes
E eis que, o chão que sob teus pés estiver,
Todo portal que cruzares,
Toda a multidão em que te infiltrares,
Qualquer rumo que lhe aprouver,
Em cada qual encontrarás
O mesmo escuro que herdaste
Sempre
a sombra trilharás,
Nos beirais,
Co'a gravidade do arcipreste
E sequer
podeis te lamentar,
Já que não serves à luz do mundo,
E a luz do mundo não te serve
Enverga
então a tua capa e veste
Essa mesma escuridão sem fundo,
Em que sozinho te aqueces.
