




Voyeur
Márcio
Almeida
Ver a nudez pela
janela,
cobiçar a fechadura como hímen,
clicar com os olhos a bunda andante,
colar respostas certas de colegas cedeéfes
Ter a
profissão de olheiro,
paparazzi dos signos, Marlowe dos enigmas,
espião a conspirar a emoção,
invasor de intimidades,
especulador à distância
Ter a
paixão pelo flagrante,
ser o estranho no ninho,
o que rouba a cena de Blow-up,
como o médico com meias de seda de mulher
em outro conto de Cortázar
Ter os
olhos neutros
E trair a confiança dos segredos,
transgredir os limites curiosos
e ver a aura das cobiças
Por que
o vício que satisfaz
com o intocável?