




Resíduos
Márcio
Almeida
Quantos notariam os filetes rococós pintados
no porta-retrato sobre a mesa vinho, seu azul
gagarino a molhar as nervuras do vinhático
de primeira poda, pálido sob o abajur, silhueta
clandestina para quem faz amor com senhas
penetrantes, os que portanto nunca serão capazes
de descobrir a forma fêmea de seu contorno cheio
de curvas implosivas, a pedir com olhos novos
por sua solidão no cio da noite?
E chove pra caralho.