




Investimentos
emocionais
Márcio
Almeida
No amor, entra-se de cabeça
Fatura-se com ele letra de câmbio,
administra-se desculpa de ora essa!
Estoura a bolsa, quando a língua o lambe
Alguns
investem relógios nas esquinas,
outros se confiscam em solidões nuas,
alguns compram cabaços de meninas,
todos se consomem, e olham a lua
dando
baixa na caixa de montanhas,
um ar frio e visível, um velho vinho.
O amor se compra com instantes e artimanhas,
se contabiliza com os verdugos do caminho
E negocia
o amor contas falidas
com fiadores da alma, seu aval de ilusão.
O valor da herança é só a vida,
o resto é réu no banco do não.