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Vício feliz
Márcio Almeida

 


Intensa emoção das metáforas do corpo conspira as tramas
Da sedução da palavra. Vetor do êxtase e o avesso do cristal.
O amor se fazendo na física do desejo. Urdiduras insinuantes
A reter a memória de Eros. A sugestão metaepigráfica de Barthes
Do "modo como cada sexualidade se oferece imediatamente à
Leitura." Porque, como diz Leminsky: "a poesia é a erotização
Da linguagem, o princípio do prazer na linguagem." Poesia sem
Orgasmo precoce. Sem vulgarização da vitrine de óbvios ocultos
Grassantes na maioria dos discursos eróticos. A condição do poeta
Que assume a mulher no discurso do prazer. A escritura corporal.
Poesia de vogais úmidas. Com cheiro de intimidades possuídas,
De bocas saciadas com os enlevos da carne, das invasões de
Segredos, das essências dos lençóis boiando em narinas sôfregas.
Um araquiri do corpo em festesão. Animardilhas vorazes.
Tumidez dos suores nos contornos insaciáveis. Líquidos semânticos
Escorrendo soltos entre os veios da masculação de verbos retesados.
Confissões poéticas sobre a sedução. Lapidação quase barroca
Da paixão e de seus instintos. A moral da ousadia. A ilusão transe-
Tória que eterniza a vontade do prazer. A condição fértil da erótica.
Poesia encarnada. Elogio das rendições do corpo. A festa deste
"espetáculo que vicia." Poesia orgânica. Nômade e acuada, sempre
Decidida a seduzir. Poesia de quem não tira o corpo fora. Para ser
Lida fora da cama. E fazer, depois.

M

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