




Quartetos
de inverno
Márcio
Almeida
Que tudo aconteça de repente
e os gestos adentrem fundo a sua carne,
e inundem de suor o que já é quente
e torne o inverno o amor que arde
Que as
mãos vasculhem as curvas do seu sexo,
e a boca cuspa o inferno em sua boca
Que nossos corpos de orgasmo percam o nexo
e nossas almas de prazer se tornem loucas
Que tudo
seja pleno e seja muito
Dedos, dentes, línguas e mordidas,
que a eternidade fique toda no circuito
desse cio que lhe espera cheio de vida
Que você
chie, arrepie, goze ou chore
e se entregue ao delírio do tesão
Amar é oração do corpo, pois então ore
a sonho tão igual na cama, em pé, no chão.