Gaveta do Autor - O portal do escritor na rede

Para armar o nome Pina
Márcio Almeida

 

"Amo-te hoje como só amanhã a deveria amar. Amo-a mais ainda em viagem.
Por antecipação. Monstruosa estrela já em desuso. Amo-a desde já, como
se a Terra já estivesse afogada em fogo. Sem vida"
Cassiano Ricardo - "Jeremias sem chorar"

"Eu quero a estrela da manhã! Onde está a estrela da manhã?"
Manuel Bandeira



Não perderei no fim para o veneno de seus skylábios,
nem vou me cegar com os faróis de tektitas dos seus olhos,
me iludir tampouco com a maldição de Maupertuis no azul
e na noite a medrar com o não os pastos úberes,
as camas que semeiam futuro por amor ou prazer.
Não quero é a certeza de ter amado um abismo para cima,
ou aureolhar fatal de bombestrela Maw,
enquanto os peixes duvidam brilhos de laser sobre as águas.
É nesta biologia de ar e água que não respiro mais a danação
de sua odisséia

Para nascer um deus é preciso expurgar a raça?

Lucífera, fera luzidia, cápsula de morte, ogre:
maldita seja a profecia de Toynbee
sobre a "transferência das civilizações."
PinEva nauta de StarMaw, lua de terror,
Quetzalcoatl-espiã, enxofre:
o Código de Ética Galático de Adar
há de proibir sua povoação de exobióides
no mapa romântico de zebrianos e esquimós

Não vou é amargar o sonho final com o óbvio do horror
Ainda há seios, crianças, crisântemos, canções,
pudins e medo. E todos vivem.
Viver também ameaça o poder.
Mas não quero ter a ditadura de Zur
por ordem expressa de PinEva ave cioderal:

- Este homem é um extinto sobrevivo
A usina de oxigênio vai garantir seu futuro
Até que num ano-luz ele apague da memória
o tic-tac do limite humano
e saiba que toda poesia é maldição

Ufo de Akakor, zeusa, zeugma, zebra,
Hippocampus guttulatus, cadela vira-láctea,
purgação opuscular de nêutron,
cavala-marinho:
não lhe darei o prazer da solidão constelar

Os habitantes do pensamento vêm de raiz telúrica
porque cada palavra tem um ventre
e porque o sêmen do silêncio é mais fértil em dois

Pinautave, Pinout,
Sem tentar suicídio, sem matar a indiferença
das ruas às vísceras do seu apelo - saiba:
até o mendigo de chaga exposta às moscas
luta para não ir para o céu antes do desencanto

Não quero é a certeza de ter amado um abismo para cima.

M

Início

Verso

Prosa

Colunas

Notícias

Sugestões

Videos

Links

Como publicar

Quem somos

Contato

Copyright © 2008 por
"Gaveta do Autor"
Todos os direitos reservados
gavetadoautor@uol.com.br