




Centelha
opaca
Jessé
Barbosa de Oliveira
Bem oculto na contra-luz da companhia,
Me entrego ao inútil exercício da prospecção das alheias
Existências conjugalmente preenchidas
Antigamente,
ao contemplá-las,
Acabava sendo alvejado por suaves e nocivas
Balas de vazio, que perfuravam, enérgicas,
A parede de aço da esperança de ser integrado à auspiciosa
Cúpula da fugaz felicidade cotidiana
Ah, eu
já perdi a conta de quantas vezes
Tentei me desvencilhar dos afagos langorosos desta contra-luz
Tantas e tantas vezes estive a ponto de chegar à soleira da porta,
Então, nessas ocasiões, sempre aberta. No entanto, sempre
A onipresença do toque desconstrutor da força a estar
Vedando a passagem para o libertador caminho, o qual assomava
No vislumbre dos meus paraísos oníricos, me toldava lenta e
Pungentemente a cor da certeza, banhada no oceano dos raios
Emanantes da mais concretamente rutilante estrela
Após
tentativas malogradas de escapar do labirinto da opacidade,
Sucumbi inteiramente ao poder da contra-luz:
Deixei que a minha matéria se aderisse à dela;
Aceitei a idéia de que nossos corpos formassem um só corpo;
Procurei não nutrir mais a utopia da comunhão da convexidade
Com
O côncavo]
Me dispus ao recolhimento do abrigo do intangível lençol da Conformação
Agora tenho medo de me tresmalhar do aconchego da minha
Irônica amada e ser atingido pelos raios da prosaica luz que se
Incide profusamente na multidão temerária!
