




Falsos
profetas da resistência
Jessé
Barbosa de Oliveira
Não, vós não ides de encontro ao verdugo em pêlo de guardião
Não, porque, se fôsseis, não aceitaríeis do novo mestre dos Sortilégios
comer a maçã do esmaecimento. Sim, pois sabeis que Ela vos anula a força
necessária para as pugnas
Contra os ditos Todo-Poderosos Senhores do Magno cercamento,
Onde moramos nós, os prisioneiros da esquizofrenia e curdos
Da libertária consciência, que permanece imutável no fito
De se pôr a nossa espera, ainda que possamos depreendê-la
Tão somente ao se obliterar a última centelha da suma vela
Qual em nós vitaliciamente ardeja
Posto que arda deverasmente enferma: quase mesmo em réstia
De fogueira!
Pra meu
dissabor, descobri a vossa verdadeira identidade
Sede, na verdade, uma célula de boa aparência, que trazeis
Convosco um vírus malsão que infecta as sadias, espalhando
A bruma da bile e da ira, que, ao mundo jugando, abiogeniza
Não,
não me tenhais na conta de mais uma presa, um tolo
Não, sei que verdadeiramente sois um pernicioso sapo-camaleão
Sei que pulais de veio em veio consoante à conveniência dos
Vossos sopeiros patrões. Sei, em razão disso, revesti-vos da Trama andrajosa
e da fala da guerreira legião para liquefazerdes
E dirimirdes com a urina a visão da justiça das batalhas empreendidas contra
os grãos-mestres da rapina, sobretudo aos Olhos daqueles que crêem, mesmo
ainda inconscientes, que um Dia o oceânico magma da igualdade nos afogará
plenamente:
Sim, o quão eu sei
Talvez,
por isso, consiga discernir o joio do trigo,
A crocodilagem e as vítimas que caem na teia
Do vosso malfazejo artifício;
O bom samaritano camuflando o seu aspecto de teia,
Que leva a incauta presa às garras da aranha, então, ansiando
Tão logo pela chegada, se supõe, da sua deliciosa encomenda
Enfim, vós sois tudo isso e muito mais coisas execravelmente Inominadas,
as quais dizer não me animo
Porém, a definição que mais a vós se assenta na minha cabeça
É a de rei das sanguessugas com certeza
Não compreendeis? --- pois muito bem:
Libais avidamente e a pleno gosto
Todo o plasma que habita a Dignidade,
E, daí em diante, ela deixa de ser Dignidade
E passa a apenas a mais um desmilingüido pedaço de carne
Á espera do derradeiro abate!
Não,
vós não sois vates. Não sois em absoluto, apesar dos trajes,
Os filhos de KARL MARX ou a flor
posterior do QUILOMBO DOS PALMARES
Não, não. Sois, em realidade, os fazedores do holocausto:
O holocausto do sonho de sermos,
apesar do côncavo e do convexo,
A mais açucena expressão da LINEARIDADE entre OS SEXOS.
