




Cântigo
da saudade
À
memória do meu pai
Rivadávia
Leite
Ah! Meu pai! Quantas saudades deixaste!
A tristeza ocupou espaço em meu coração,
Foste amigo, companheiro, por que partiste?
Ausência pérfida que sufoca, pura emoção!
Lembro-me
pai, quando à mesa sentavas,
Momentos inusitados de vera descontração,
Nos teus projetos de vida sempre falavas,
Ah! Destino cruel! Vis punhais da traição!
Hoje,
quando no quarto te vejo em retrato,
Sinto n'alma a visita da merencória solidão,
Felicidade fêz de mim o inoportuno distrato,
Deixando-me queixumes por esta escuridão
Patrono
geneanológico da minha existência,
Arquétipo de vida neste orbe em perfeição,
Declinavas o amor com sutil eloqüência,
Ao filho primogênito com régia adoração
Calaste
a voz, mas de tua morada te oiço,
A cada momento, em luzente recordação,
Nas tuas dores edifiquei o meu arcaboiço,
Quando te encontro no recitar da oração
Um dia
pai, no éter, eu vou-te encontrar,
Sob o auspício da realengo reencarnação,
Nossas almas, eternamente, hão de viajar,
No divino seio do grande profeta Abraão.