




Erótica
Márcio
Almeida
Temos de sobreviver
esse corpo todas as noites,
cumprir com as vergonhas úmidas de cio,
com nossas confidências e nossos volts
lúdicos e loucos na carne viva e sem brio
Cumprir esse amor é
sempre uma surpresa,
como é antigo e renovado desde a bíblia,
que multiplicando a espécie em nossa alma tesa
transborda nossos líquidos a vão de bilha
É o mel da boca a falar
de animálias poses,
e o corpo inteiro aberto ao pensamento adulto,
são as reticências do cansaço a limitar os coices
desses animais que juntos vingam a vida a insulto
Tudo se refaz depois
de um cigarro aceso,
e a união das ânsias repete em virgem espasmo
a língua que conversa nosso sangue hostil e vezo,
e o amor que inventamos com a linguagem do orgasmo.