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Os poetas não têm sorte ao amor
Nuno Trinta de Sá

 


os poetas não têm sorte ao amor:
porque acreditam;
porque vêem stone;
ouvem alanis ou dido;
madonna ou simone;
uma joplin desperta;
azulejo de gaudí

os poetas sonham:
e, depois, pensam;
que a nova é a tal;
que o vinho é sempre bom;
que julieta é mulher vulgar;
que todos somos iguais;
e, por isso, sofrem

os poetas não têm sorte ao amor:
apanham bebedeiras de tesão;
rogam pragas à rotina;
escrevem o sal; riem do dia-a-dia;
amam a tragédia;
mendigando alma em carne.

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