




Poema
para o Manel
(ao meu amigo Manuel Geraldo, que nos deixou em 2006)
Nuno Trinta
de Sá
sabes, manel, quando cheguei ao teu funeral
era tarde, já tinhas voltado à terra
tu, que eras um homem das planícies ternas
talvez por isso, o alentejo ausentou-se de lisboa
e os corvos, negros, vinham das novas avenidas
como se quisessem embalar a valsa inútil dos dias
e os raios de sol teimavam em não nos aquecer
e as castanhas já sabiam a chuva
faltavas tu para ser um dia de verdade.