




Meus
haveres
Marcel
Luna
No início tudo era muito
mais
Agora que acabou
Restam-me essas sensações:
Com uma ponta de cinismo em volta,
uma idéia de si
Sorriso trágico de quem
morre
Em cada instante
Sem viver um momento seguinte
Desesperadamente
Tanta vida se esvaiu
Na imagem de um rapaz de bem
Que nunca revelou tanta capacidade
Para ser o que é
Sobras de uma compleição
verbal
Atônita essa nossa fuga
Nesse nosso fazer criativo, lapidante
Nunca saio sozinho
Há sempre o meu haver por perto
Enquanto meu desespero anda solto
Sonho de sangue, de amianto.