




Assassinato
(à Mário Lúcio, menino de rua assassinado em São Paulo
num dia qualquer de um dezembro qualquer)
Caulus
Ponte Negra
Vi passar
na rua
Amarga lembrança
Vi passar os carros
As casas
Os sonhos
As lojas...
E uma criança
Uma sacola,
um presente, uma flor
O silêncio de repente fez-se monotonia
A cidade, noite em pleno dia
A estupidez
pôs fim àquele tenro, vivo e voraz amor
Dizem os poetas em intervalos
Que o tempo é como um beijo
Lindo, molhado, lento...
Ou como aquele estalo
Que se desfez no próprio tempo.