




Porco
taberneiro
João
Felinto Neto
Pior do que meu erro,
É meu desalinho
Sem manga,
Sem colarinho,
É meu desmantelo
Banho,
Não tomo direito
Minha barba,
Espinho
Sou um porco taberneiro
Estou
sempre atravessado
Em velhos batentes
Já não escovo os dentes,
Vivo embriagado
Moscas voam ao meu lado
Como damas inocentes
Sou um bêbado inveterado
A vergonha
despediu-se
Já faz um bom tempo
O amor próprio
Foi ao vento,
Fui abandonado
A taverna é meu convento,
Onde em pensamento,
Estou entre Deus e o Diabo.
