




O
último alvorecer
João
Felinto Neto
O dia amanhece
Como tantos outros,
E não tem nenhum problema
Para eu resolver
A não
ser,
Que a vida se dissipa
Para tantos outros,
Que eu jamais virei conhecer
Se algo
ainda eu pudesse fazer,
Não sairia do meu leito
Para protestar em luto
Por tamanho absurdo
Que é fenecer
Só abriria
os meus olhos
Quando cada fruto,
Dessa árvore genealógica,
Viesse a nascer
Entre
lágrimas que cortinam a visão
Tenho a nítida impressão
Que irei também perecer
Nada mais posso fazer,
Por ser tudo, tão vago
Aproveito o cenário
Do meu último alvorecer.
