




Poesia
equivocada
João
Felinto Neto
Não há nós ou amarras
Que me prendam,
Por ser eu, livre
Tal qual o vento
Sob as asas
De velhas garças
Que sobrevoam
Nossas casas
De cimento
Não há
preceito
Ou preconceito
Que me abata
Sou resistente qual a vara
Que apesar de envergar
Por muito tempo,
Volta à posição primária,
Logo que se acalma, o vento
Não há
poder
Que me cale as palavras,
Por ser eu, firme
Qual a casa destelhada
Pelo mesmo vento;
Que há muito, abandonada,
Ainda resiste ao tempo
Assim
resisto,
Com um louco pensamento
E uma poesia equivocada.
