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xxxxxx Depois de Bram Stoker, Stephen King
e Anne Rice, alguém mais escreve histórias de terror e de vampiros? Há quem
leia? Sim e sim. E essas almas estão bem mais perto do que se pensa. Perambulam
por aqui mesmo, no Brasil. O autor em questão não
tem nada de sobrenatural, mas pode ser considerado um fenômeno.
xxxxxx André Vianco mal passou dos 30 e lançou oito livros em cinco anos, todos superpovoados por vampiros, anjos, demônios e quetais. Seu best-seller - Os sete - está na casa dos 20 mil exemplares vendidos e ele não pára de escrever. Aliás, falando dos leitores, Vianco vem atraindo os olhares de gente de todo tipo, mas com uma coisa em comum: sede por histórias de vampirismo e horror. A explicação para isso não é nenhum pacto com o demônio, como quereriam alguns de seus leitores. Apenas literatura bem feita e investimento numa fatia do mercado editorial que até então não tinha um autor nacional de peso. Assim, assim, André Vianco vai se espalhando pelas prateleiras fazendo desfilar um verdadeiro teatro de vampiros, com sotaques e trejeitos inusitados. No romance de estréia, sete vampiros portugueses despertam no litoral do Rio Grande do Sul. Depois, em outros títulos, aparecem espíritos atormentados que não podem reencarnar, anjos que se transformam em humanos, suicidas potenciais, gente que enfrenta vampiros superpoderosos, maldições e redenções. Sempre no eterno combate do bem contra o mal.
xxxxxx Paulistano e morador de Osasco, André Vianco já foi redator em emissora de rádio, mas sempre quis ser escritor. Desde a infância, criava roteiros intermináveis de histórias que se estendiam pelos cadernos. Parecia estar no sangue! Tanto é que arriscou tudo para publicar "Os sete". Demitido do emprego, deixou de usar a indenização trabalhista na compra de um apartamento para a família e pagou a impressão de mil exemplares do romance. Distribuiu sozinho em livrarias de São Paulo e deu certo. Passou a vender e quando esgotou a tiragem inicial, uma editora foi atrás dele, passando a lançar tudo o que ele martelava no teclado. André Vianco sorriu, deixando à mostra os caninos brancos... Hoje, vive de escrever. Produz rápido e em menos de um ano entrega originais que facilmente ultrapassam 500 páginas. Parece Stephen King... Sua literatura fantástica tem um frescor juvenil. E o autor tem uma intensa capacidade de desdobrar acontecimentos, aprofundar tramas e dar densidade aos personagens. Não é à toa que muita história começa num livro e só vai terminar mesmo em outro. As garras dos personagens arrastam os leitores até o volume seguinte. Pelo que parece, não dá para escapar...
5 Perguntas
1.
O que apavora um autor de histórias de horror?
Não ser lido. Não ser publicado. Dá um medo lascado.
2.
Na literatura, onde mora o sobrenatural?
No digitar do "fim". Na obstinação de começar e terminar esse sofrimento
que chamam por aí de livro. Nas risadas, nos prantos. Nas filas em noite
de lançamento. No viver de escrever. Na ansiedade que às vezes bate de
madrugada e pronto, lá está você com o monitor ligado, o Word com o cursor
piscando na tela e aquela galerinha na sua cabeça querendo descer por
volta das 3 e meia da manhã. É... nesse reino há muitas moradas.
3.
Além do medo, que combustíveis mais você busca para a sua arte?
Não busco o medo. Num primeiro momento busco a idéia, se é medo, se é
riso, se é suspense se é pique se é desejo... seja o que for. Daí busco
o encantamento. É uma delícia maquinar para encantar. Busco afogar a mente
do leitor em outro mundo, em outra vida. Sei que não é assim com todo
colega escritor... mas eu amo inventar, ludibriar, enfeitiçar, enternecer,
deixar puto. Sei lá se tudo isso é combustível. Eu quero é tacar fogo.
4.
Não seriam alguns leitores sedentos vampiros sugando seus autores até
a última gota?
Sem dúvidas. Existem muitos assim. A experiência tem sido benéfica até
aqui.
5.
Para um autor de histórias de horror, o que vale mais: uma gota de lágrima
ou de sangue?
Uma gota de lágrima.