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Maicon Tenfen
Foto: Divulgação.


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O que dizer de alguém que mal chegou aos 30 e já tem seis livros publicados? E o que pensar de alguém que fez tudo isso em apenas sete anos? A primeira idéia que vem à cabeça é um clichê: menino-prodígio. Essa imagem se robustece quando esse alguém vorazmente devora livros e regurgita histórias de suspense, que atiçam o imaginário catarinense; quando esse alguém se dispõe a ter um contato estreito com seus leitores, palestrando em escolas e conversando atentamente com jovens e velhos.

xxxxxx O clichê alcança maior envergadura quando se observa o autor: alto e magro, de braços longos, loiro de olhos claros e com um contagiante sorriso nos lábios. É quase um príncipe, diriam os mais entusiasmados; e as comparações com o também catarinense Lindolf Bell seriam inevitáveis se o autor se dedicasse aos versos. Os ingredientes para um bom clichê estão aí, mas Maicon Tenfen quer distância deles. Quer fazer seu caminho, apesar dos decalques fáceis, da simplificação de alguns comentadores que poderiam reduzi-lo a um rótulo.

xxxxxx O jovem prosador persegue os limites e se arrisca apoiando-se em muitos deles. Teve infância dura na companhia dos pais lavradores, em Ituporanga no Alto Vale do Itajaí, interior de Santa Catarina. Perdeu a visão de um olho aos treze anos e quase nasceu no ano seguinte ao do seu nascimento: chegou no dia 31 de dezembro!

xxxxxx Com um olho só - nada demais, Camões deu o exemplo -, encheu-se de uma vontade única: literatura. Publicou seu primeiro livro - Entre a brisa e a madrugada - quando ainda era um rapazola. Mesmo assim, já agia com seriedade. Conta ele que reescreveu o livro doze vezes antes de apresentá-lo à editora. Formou-se em Letras e passou a lecionar Literatura Brasileira. O ofício deu uma estabilidade mínima que lhe permitiu que viessem outros tantos títulos, oscilando entre o romance e o conto. Aliás, foi com narrativas curtas que Maicon Tenfen venceu por dois anos (1997 e 1999) o Concurso Nacional Paulo Leminski, glórias que o projetaram não apenas para além das fronteiras locais, mas internacionais: foi publicado por revistas literárias na Europa e América Latina.

xxxxxx Mas Tenfen evita o clichê de revelação. Afinal, já se revelou há praticamente uma década, escreveu obras de fôlego e peso - O filho de Feliciano tem mais de 400 páginas! - e não pensa em colocar ponto final nessa atividade. Há algum tempo, assina crônicas semanais para o Diário Catarinense, coisa que o ajuda a pagar as contas de casa, até porque tem família pra cuidar.

xxxxxx E apesar de o escritor desviar-se de tantos carimbos, não consigo resistir a um: há um silêncio impertinente no momento. Maicon Tenfen deve estar aprontando algo...

 

5 Perguntas


1. Onde está a boa literatura?
Na mente de um bom leitor, que lê de tudo, sem preconceitos, e estabelece os seus próprios parâmetros críticos. Não há obra-prima que funcione como tal diante de uma leitura medíocre.

2. Onde está a má literatura?
Seguindo a mesma lógica, só posso responder que está na mente do mau leitor, que se deixa guiar por padrões externos, sejam acadêmicos ou midiáticos, e não consegue refletir sozinho sobre o que lê.

3. Qual é o papel do escritor num mundo como o nosso?
Desafiar a inteligência do leitor, provocá-lo, inquietá-lo, tirar todo o seu sossego ou conformismo.

4. Como alguém se torna autor de si mesmo num mundo como o nosso?
Acho que o importante é ser sincero consigo mesmo e com o que escreve. A imagem e a fama não valem nada se a obra for desonesta e oportunista.

5. Jovens autores são jovens até quando?
Se não se renderem ao status quo, até a última linha.

 


Rogério Christofoletti aborda o cotidiano dos escritores e sua relação
com a palavra
através de uma agradável entrevista.
Maicon Tenfen

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