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Clarah Averbuck
Foto: Divulgação.


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Ela escreve com franqueza, com velocidade e com peso nas mãos. Mas também mente o tempo todo, tem ritmo e se diz ser uma "mulherzinha", delicada. Escreve compulsivamente, a ponto de um único blog não lhe ser suficiente. Tem vários, já passou por muitos, transita entre eles.

xxxxxx E mesmo quando esses diários virtuais perdem a graça ou sua autora deles parece desistir, os mantêm na internet. Por uma razão simples: Clarah Averbuck insiste em preservá-los publicados. Como se ostentasse o que escreve. Como se fosse impossível desapegar-se deles, clicando e arrastando-os para a lixeira. Uma das autoras mais salientes da recente literatura brasileira, Clarah Averbuck divide opiniões: é amada na mesma medida em que é negada. Sua escrita é tachada de egocêntrica, autocentrada, superficial e carregada de clichês. Por outro lado, seus textos revelam agilidade, fluidez e o autêntico traço genético da literatura: uma intensa narratividade.

xxxxxx Aos 25 anos e com três livros publicados (mais a participação em outras antologias), Clarah Averbuck equilibra a vida e a obra na invenção e reinvenção pessoal. Em seus blogs, é Brasileira!Preta e Lady Averbuck; em seus romances, pode ser Camila ou qualquer forma que possa assumir um narrador. Não tem fronteiras: muda de persona como quem troca de cor nos cabelos, o que faz freqüentemente. Cria ficções pessoais, compartilha mitologias, faz de experiências íntimas relatos com outro sotaque e timbre.

xxxxxx Já disseram que ela faz "literatura de blog" ou pop. Ela prefere dizer que faz Literatura Bitchnik. Isso mesmo: o trocadilho amarra os beats (como Guinsberg e Kerouak) e uma postura vira-latas, sexualmente cadela. Tem uma religião e sua "santíssima trindade" é formada por John Fante, Charles Bukowski e Paulo Leminski. Precisa dizer mais? Sim, seu universo é urbano, pop, cético, atual, fragmentado, confuso. Como ela, geminiana e também atriz, jornalista e cantora. Passou intempestivamente pelo cinema; fez frilas para revistas como Showbizz, Trip e Superinteressante e assina uma coluna mensal para a TPM: "Transtorno Bipolar". Tem uma banda - Jazzie e Os Vendidos -, onde toca e canta com o marido Marcelo. Marido?! Mas num post de seus blogs, ela diz ter uma noiva em Londres! Verdade ou mentira, tanto faz. Clarah Averbuck também é personagem de si mesma. Entre a ficção e a vida real, ela costura uma carreira. Uma não, várias. Inclusive a de ser alguém que algum dia se entenda. Putz! Mas ela se acha, hein?! Não. Ela ainda se procura...

 

5 Perguntas


1.
Se a leitura é uma viagem, onde ela termina?
Onde o leitor quiser ou permitir. Pode terminar dentro da privada ou dentro
de outro livro.

2. Você faz da escrita uma forma de ser outra pessoa?
Não, uma forma de ser eu mesma.

3. O que te faz pensar que a literatura possa ser um meio de vida?
Quem escreve não tem essa escolha. Simplesmente é.

4. Você sabe mais de seus personagens ou eles sabem mais de si mesmos?
Ninguém sabe nada. São todos bipolares do tipo II e confusos, muito confusos. Mas acham que sabem tudo. Deles e dos outros.

5. A literatura é uma maneira de reescrever a própria trajetória pessoal?
Talvez. A minha literatura é a forma que eu dou aos meus demônios.

 


Rogério Christofoletti aborda o cotidiano dos escritores e sua relação
com a palavra
através de uma agradável entrevista.
Clarah Averbuck

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